
Um sentimento anda me devastando aqui dentro, puxando sem freios para baixo, tudo que guardo. A vida tem se revelado mais confusa nesses dias distantes, perdidos. Na mente, essa confusão interna se dilui na realidade quase fatal: ainda me dói. Não houve outro com igual arco-íris, ou forma convidativa que me aproximasse. A menina distante, inatingível. Presa ao mesmo ponto onde desceu do entusiasmo. Vem, dose a dose, uma angústia que acomete a ferida e me faz transparecer alguém que nem reconheço. Correndo, em passos largos. Tudo muito vago. E talvez agora seja tarde para dizer. Tarde para mim. Tarde para você. Segurei por entre meus pequenos dedos, por vários dias, o vazio corrosivo e mil sentimentos modificados, dentro da minha solidão. Sinto falta de você. Uma falta que ainda lateja, queima. Uma saudade que cutuca o esquecido, e faz lembrar como foi doce estarmos juntos.
Nessa nostalgia efusiva, um sentimento cresce mesmo na ausência e toda distância. Me provoca uma inquietação aqui dentro, no peito. Nesse meio-coração. Eu ainda gosto tanto de ti. Sabe, às vezes odeio minha indiscreta sinceridade; por sempre mostrar o esconderijo ao ladrão. Nasci para ser verdadeira e sempre fiz tudo com tanta intensidade, que o controle me foge, raras vezes, das mãos. E com esse jogo de palavras aqui, suavizadas com o tempo. Tropeçando nesse - meu - mundo fantasioso e imaginário, caminho assim, forjando uma felicidade externa. Esse jeito frio, calada e indiferente que nunca me foi usual e me fez refém temente, talvez tenham espaço e seja necessário. Só não quero mais me machucar, entende? Só isso. Todas às noites, estreladas ou não, antes de me perder em sonhos irreais e adormecer, faço o último pedido: que a ilusão não me bata à porta, mais uma vez. Meu desejo, ou mais que isso. Escapando o vazio. O breu. Não tenho pressa, aceito essa calmaria que hoje inundou aqui e que deseja ficar. Ontem, ainda chorei, sofri. Desisti da força. De engolir a farpa, que arranha a ternura. O seco das miudezas. Me permitir. Já agora, não. Depois do tombo, hematomas; levantei. Por necessidade absoleta, com uma fé imensa e vontade além da conta de sair por cima de toda essa bagunça que faz morada em mim. É hora de seguir a minha vida, esperar alguns imprevistos, demasiadas surpresas.
Menina B.







