Eu quero engolir rejeições,
chorar alegrias, rir tristezas, despir a alma, gritar amores, sussurrar ofensas
nem sempre controláveis, entender os porquês, dançar inimigos, abraçar amigos,
beijar incertezas e acariciar a aprendizagem. Quero não me importar, quero
largueza de fé e pessoas que confiam em mim. Eu quero confiar nas pessoas, quero mais
dias de Sol com noites de chuva. Quero nunca me cansar. Quero me cansar e ter
direito há um mês em
uma Ilha Paradisíaca cheia de paisagem bonita, cheia de um
azul sem fim. Quero a contradição. Quero o bonito e o azul em mim. Que os dias nunca
pareçam longos, que a graça nunca pareça pouca. Quero luz dentro e fora de mim,
quero paz por todos os lados. Quero trevo de quatro folhas para engolir a sorte
azeda. Quero conseguir ser única e leve em um mundo de pessoas tão iguais, tão
alienadas, tão cheias de si. Quero respostas na ponta do lápis. Quero me
empolgar, me estressar, me amar assim como sou, empolgada e estressada na mesma
quantidade. Quero tomar um banho de amor e compaixão para que todos os
sentimentos ruins desçam pelo ralo. Quero compartilhar pensamentos sem medo do
que possam pensar, quero o poder de provar como as coisas são, como elas foram
e como serão. Quero picar a minha dor e colocá-la em uma caixa que não tem como
ser aberta novamente. Quero picar a minha alegria e dividir com aqueles que
amo. Quero alegria sem fim e tristeza com fim. Conversas sem hora para
terminar, beijos sem ter o que pensar, abraços onde eu possa morar. Quero um
jarro transparente cheio de gérberas laranja no canto do meu quarto. Quero
conversar sem me importar. Quero ser sincera. Quero que não se ofendam com a
minha sinceridade (que acreditem nela também.) Quero banhos de chuva e luau com
amigos, quero um par de meias coloridas e um amor para aquecer. Quero levar
tombo e rir da vida porque nem ela sabe quanta gente tenho para me ajudar a
levantar. Quero amigos sinceros, dias claros e noites estreladas. Quero pintar
o céu com lápis de cor em dias cinzas, quero descansar nas nuvens enquanto
converso com heróis que foram cedo demais. Quero algodão-doce e vida doce,
quero o doce entrando em minhas veias até me dar náusea e só me restar colocar
para fora essa poesia toda, entalada em algum lugar de mim. E isso, eu não
quero para 2012 não, eu quero para a vida!
[Noemyr Gonçalves]