
Fiquei pensando: e se a gente pudesse voltar no tempo e refazer as
coisas? Não sou o tipo de gente que levanta a bandeira do "a gente só deve
se arrepender do que não fez". Tem muita coisa que eu fiz e me arrependo,
sim. Já fiz muita cagada nesta vida. De algumas coisas, sinceramente, me
envergonho. De outras, me perdoo.
Não dá pra passar anos se culpando por uma decisão errada. Acho que é
melhor tentar e se estrepar do que ficar pensando ai-e-se-eu-tivesse-feito? É
bem verdade que não fiz exatamente tudo que queria. Sabe como é, tudo tem
limite. Inclusive as nossas vontades. Não dá pra chutar o balde e resolver
fazer a linha rebelde sem (ou com) causa.
Carregar uma culpa nas costas pode causar problema de coluna ou câncer.
E eu quero viver muito (e bem). Não acho certo ficar remoendo as coisas. Se não
deu certo, paciência. Se deu, ótimo, aproveita, relaxa e goza.
Acho que tentar é importante. Errar e acertar faz parte do processo de
autoconhecimento e aprendizado. Muitas vezes a gente nem valoriza o que vem
fácil. Mas o que é suado, o que dá trabalho, o que tira o sono e depois é
celebrado tem um gostinho muito melhor. O sabor é outro, a degustação é mais
prazerosa.
Talvez eu nunca perca esse meu jeito de acreditar e de tentar. E talvez
eu nunca deixe de ser uma sonhadora, pois apesar de já ter tido o meu coração
partido em pedaços miúdos, sigo me doando. Não me importo, sou do time que
torce para o amor, por mais cafona que isso seja. É por isso que sigo me
doendo.
Clarissa Corrêa
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