Nos questionamos sobre razões, destinos, situações. Queremos
entender porque determinadas coisas boas ou ruins nos acontecem. Quando é algo
bom, agradecemos e deixamos as razões para lá, mas quando é ruim, lá vem a
decepção. Não nos adaptamos, não queremos nos acostumar. Aliás, não fazemos o
menor esforço. Não conseguimos ver razões para dizer um sim para a mudança que
se anuncia. Mas a verdade é só uma: a vida não foi feita para ser questionada,
mas para acontecer.
No meio da admiração acontece a paixão, no meio da
gargalhada acontece a satisfação. No meio do encantamento acontece a euforia,
no meio da euforia, acontece a expectativa, no meio da expectativa acontece a
frustração (e na frustração, o destempero da sedução). No meio da esperança
ficam resquícios de fé, no meio da fé nos ocorre mudanças, no meio da frase
acontece o susto, no meio da tarde acontece a notícia ruim, no meio da tristeza
vem alguém e colore felicidade.
No meio do abraço acontece o apego, no meio da risada
acontecem olhares cúmplices, no meio de um livro acontece o encontro com nós
mesmos, no meio do sermão acontece a chateação, no meio da raiva acontece o
choro (ou ideias mirabolantes). No meio da alegria acontece uma vontade de
ligar para todo mundo e contar o quanto a vida é bonita.
No meio da música acontece o refrão, no meio do choro nos
ocorre a iluminação, no meio do caminho acontece a visão clara para nossos
objetivos. No meio do silêncio nos ocorre a certeza do conforto. No meio dos dias,
vai a vida sendo costurada por entre os nossos questionamentos indissolúveis.
No meio do encontro acontece nosso coração acelerado, no meio dos motivos,
nada. No meio das vontades, tudo.
Teço o que me cabe e vou em busca de dias claros que me
tragam um conforto com gosto de merecido. Misturo a calmaria com a agitação e
está tudo certo. Mesmo quando não estou em movimento uso formas de acontecer.
Escrevo, leio, sonho.... São formas de me despertar, de me fazer melhor, de não
surtar no meio da notícia ruim ou de não ficar em estado de contentamento
achando que é eterno. Dosagens diárias de bom e mal humor, afinal, tudo passa.
No meio dessas passagens todas, a gente fica "só" acontecendo... ou
seria renascendo? E acontecer não seria uma forma de nascer de novo a cada
queda?
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