O silêncio vem e eu fico. Ali. Por quanto tempo? Cansada. E você deixa essas meias palavras, eu tento juntar todas para formar uma inteira, mas falho. Quebro. Então você respira esse cansaço todo e demonstra que nem adivinha o quanto eu queria a ausência. A ausência e a troca e qualquer coisa que não fosse essa tua desaprovação subentendida, essa impaciência, essa eterna falta de atenção. Enjôo. Gritando em silêncio para rasgar a distância que se formou nem sei mais há quanto tempo mas agora é sólida, e o concreto eu não destruo sozinha, então - então fica assim. Você de um lado do muro e eu aqui: sozinha. É estranho que você só exista em “álbum de fotografia”. É estranho que já não enxergue nada... Fui eu a cega ou meu corpo é invisível agora? Transparência. Então novamente a distância, galopante, aumentando, aumentando... Você é tão longe que eu já nem reconheço. Passa e deixa só silêncio e deixa o vácuo que suga tudo em mim e a eterna vontade do diferente, de uma mudança utópica. Diariamente eu desejo substituir você. E das eleições internas tiro as minhas escolhidas, abraçando com desespero para ver se alguém fica! Silêncio. É estranho que eu te enxergue e já não saiba quem você é. Estranha. Que eu te tenha ao lado e ainda assim sufoque em saudade contínua. E, pensando bem, eu já nem acho que seja tua. Se a falta me afunda o peito em buraco é só pela ausência. Eu tenho saudade de todas que você não foi. De todas que eu precisava que você tivesse sido. E não foi. Então continuo
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